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Segunda-feira, Março 09, 2009
Estava eu no aeroporto de Guarulhos na sala de embarque com uma horinha pra gastar. Devassa era o lugar. Nunca tinha entrado lá, só curiado do lado de fora. Na verdade, acho que nunca tinha tido tempo suficiente pra entrar e passar algum tempo dentro do estabelecimento. Ansiando por fumar um cigarro, entrei.
Apesar dos preços serem bem avantajados, não dava para notificá-los pelo lado de fora. Eu queria só fumar um cigarro, mas minha boa educação e meus bons modos me falaram desde o princípio para consumir alguma coisa. Distraidamente passei os olhos pelo cardápio no display... E logo me virei para o refrigerador de bebidas e fui direto no toddynho. R$4,50. Li umas três vezes essa rápida mensagem: quatro e cinquenta, quatro e cinquenta, quatro reais e cinquenta centavos. Pulei pras bebidas de cima, cervejas, refrigerantes, chás, sucos... E a cada um que percorria minha visão uma nova facada era dada. Recaí meus olhos para uma humilde garrafinha d´água, como um prêmio de consolação. E que consolação cara, logo percebi.
Peguei a água de três e cinquenta com seus míseros meio litro, sendo generosa, porque com certeza era uma coisa das famosas três centenas, umas quatro dezenas e mais cômicas unidades de ml, como um 7. Me dirigi ao caixa. Paguei e perguntei pra moça se não tinha fósforos.
- Pra vender?
- Não, de graça mesmo?
Não consegui engolir a interrogação, muito menos a minha expressão de "só o que faltava" mas venci o impulso de falar: não, de brinde... pode ser?
E a moça logo disse: não não... tem sim. E me deu a caixinha.
Fui me sentar no canto do aposento com minha aguinha filtrada por lâminas de ouro para fumar meu marlboro light cercada de displays do dunhill carlton ocasionando em mim a estranha impressão de que eu tava fumando o cigarro errado (a publicidade é linda).
No fim da minha água e do cigarro, cercada de pessoas encervejadas, incluindo um senhor de voz esganiçada que já devia tá bebendo o terceiro copinho de 300 ml do chopp de lá (o que me deu uma vontade quase imbatível de chegar pra ele e falar que se ele tivesse pedido duas de meio litro teria sido mais proveitoso em custo-benefício) e no meio de uma discussão sobre nomes de agências percorri o caminho de volta à porta, mas antes devolvi a caixinha de fósforos devido ao meu bom senso de saber que era apenas emprestada, e saí de lá.
Esse é um exemplo de um local explorador monetário para fumantes atribuídos de bons modos. Realmente devasso. E é isso que ocasiona o monopólio. Não de garrafas de água de seus 347 ml, porque à dez passos dali eu compraria uma igualzinha por no máximo dois reais. Mas de área para fumantes. E depois dizem que fumantes são seres nojentos e mal educados... Eu digo: educadíssimos, explorados e indo à falência.
por Laila Razzo *
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